Aspectos endocrinológicos da Obesidade

QUEM É OBESO ?

Podemos definir a obesidade como um aumento do peso corporal devido a um excesso de tecido gorduroso. Existem varias maneiras de se avaliar quem é obeso mas o método prático mais utilizado é o Índice de Massa Corporal (IMC).

índice de massa corporal

 

OBESIDADE – A EPIDEMIA DO FINAL DO SÉCULO.

O número de pacientes obesos está aumentando em proporções epidêmicas e a uma velocidade alarmante . Na Inglaterra, entre 1980 e 1993, a população obesa aumentou em 50%. Os epidemiologistas americanos projetam que, mantidos os padrões atuais, 100% da população americana será obesa no ano de 2030. No Brasil, levantamentos efetuados nos anos de 1974 e 1989 revelam que nestes 15 anos houve um aumento importante da prevalência da obesidade em ambos os sexos e em todas as classes sociais.

 

DOENÇAS CAUSADAS PELA OBESIDADE.

A obesidade é, claramente, um fator de risco que aumenta a probabilidade de doenças tais como diabetes mellitus, hipertensão arterial, acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio, hipercolesterolemia, cancer, calculo da vesícula biliar, artrite, problemas respiratórios, alterações menstruais e também de morte prematura.

A distribuição da gordura é mais importante que o grau de obesidade na determinação da maioria dos riscos acima. A obesidade, quanto a sua distribuição, é dividida em andróide e ginecóide. A obesidade ginecóide, também chamada do tipo "pera" é aquela localizada mais em quadril e própria do sexo feminino. A obesidade andróide ou do tipo "maçã" é aquela própria do sexo masculino, localizada no abdomen, também chamada de visceral, sendo esta a que acarreta com maior frequencia as doenças acima.

Devido ao aumento mundial e importante na prevalência da obesidade e às doenças que ela pode acarretar, a Organização Mundial de Saúde criou uma Força-Tarefa Internacional para a Obesidade – IOTF (International Obesity Task Force) com o objetivo de conscientizar a população e ajudar cada médico a tratar eficientemente o desafio da obesidade na clínica diária.

 

CAUSAS DA OBESIDADE

Básicamente, a obesidade pode ser atribuida a quatro fatores : excesso de ingesta, falta de atividade física, tendência (genética) e problemas glandulares.

1. Excesso de ingesta.

Neste aspecto, podemos afirmar que a obesidade é uma doença da civilização. O homen primitivo não era obeso, pois alimentava-se de sementes, raízes e frutas e não dispunha destes alimentos o ano todo. Atualmente, temos a nossa disposição alimentos industrializados, muito palatáveis e altamente calóricos. A ingesta de alimentos contendo altos teores de gordura tem sido considerado o grande vilão causador da obesidade. O fator psicológico influenciando a ingesta também é muito importante. Desde pequeno aprendemos que comida é "premio" , pois os fatos importantes da vida são sempre comemorados com comida. Basta o individuo estar frustrado, stressado, angustiado, para querer uma compensação, um " premio".

2. Falta de atividade física.

Existem dois tipos de atividade física, uma programada e uma não programada. A atividade física programada é aquela da academia de ginástica, da natação, do jogo de tenis. Este tipo de atividade física vem aumentando nos últimos tempos mas apenas para uma pequena parcela da população. A atividade física não programada vem diminuindo na medida em que aumentam os confortos da vida moderna : controles remotos de TV, elevadores, automóveis, escadas rolantes, extensões de telefone por toda a casa etc. Existem levantamentos feitos em alguns países nos quais houve diminuição da ingesta de alimentos, aumento da atividade programada e aumento da obesidade, o qual é atribuido à diminuição da atividade física não programada.

3. Tendência ( fator genético)

Quando os pais tem peso normal, 10% dos filhos são obesos; quando um dos pais é obeso, 50% dos filhos são obesos; e quando ambos os pais são obesos, 80% dos filhos são obesos.

Estes dados e inúmeros outros trabalhos feitos com familias e gemeos identicos, tem demonstrado que a genética desempenha um papel fundamental na gênese da obesidade.

4. Problemas glandulares.

Alterações na função da glandula tireóide , supra-renais e região hipotalamica podem ser responsáveis pela obesidade. Não são as causas mais comuns deste problema mas devem ser sempre descartadas.

 

TRATAMENTO DA OBESIDADE.

O tratamento da obesidade baseia-se em dieta, atividade física e uso de medicamentos em determinados casos. O tratamento cirurgico é reservado para aqueles obesos mórbidos (IMC> 40) que não tenham tido sucesso com o tratamento clínico, que tenham doenças decorrentes da obesidade e que tenham sido submetidos a uma cuidadosa avaliação psicológica.

1. Dieta.

O termo dieta deveria na realidade ser evitado pois é sinônimo de sacrifício e transitoriedade. Mudança de hábito alimentar deveria ser o termo empregado pois é o nosso objetivo uma vez que este novo hábito deverá ser para toda a vida . Hillel Schwartz, uma historiadora americana encontrou nos Estados Unidos, 506 livros que tratam de dietas emagrecedoras. Lá, como aqui, estes livros e outras propostas feitas pela midia são lançados com promessas milagrosas e, apesar de científicamente não terem qualquer embasamento e de serem potencialmente perigosos fazem sucesso, para meses depois darem lugar a outra "dieta"com as mesmas falsas promessas.

A dieta hipocalórica (poucas calorias) balanceada ( com todos os nutrientes necessarios) deve sempre ser a indicada pois satisfaz as necessidades nutricionais, permite perda de 0.5 a 1 Kg por semana, é econômica e de fácil preparo, se adapta ao estilo de vida de qualquer pessoa e permite a reeducação alimentar.

2. Atividade física.

Tanto a atividade física programada quanto a não programada devem ser incentivadas pois o exercício acelera a perda de peso. Um outro grande benefício do exercício é a preservação da massa muscular. Um individuo que faça apenas dieta, perde aproximadamente 70% de gordura e 30 % de músculo. Um outro que faça dieta e exercícios perde 100% de gordura podendo até ganhar massa muscular. Um benefício adicional é a auto-estima do obeso que melhora com o exercício. A atividade física deve ser adequada para cada paciente.

3. Medicamentos.

Existem drogas anorexígenas, que diminuem o apetite; drogas termogênicas, que aumentam o gasto calórico; e nos próximos meses deverá ser lançado no mercado mundial uma medicação que diminui em 30% a absorção de gorduras pelo intestino.

Há uma exagerada prescrição destes medicamentos no Brasil. O apelo da magreza como forma de beleza e a charlatanice atraída pelo lucro fácil fizeram e fazem com que tenhamos um enorme consumo destas substâncias. Isto acontece principalmente sob a forma de "fórmulas emagrecedoras" que contém vários anorexígenos, tranquilizantes, hormônio da tireóide, laxantes, diuréticos etc. Apesar da proibição destas fórmulas e do controle da Vigilância Sanitaria, elas continuam sendo utilizadas. Com o uso destas fórmulas, a perda de peso é grande mas junto com o peso perde-se a saúde e no momento em que a medicação é suspensa há uma rápida recuperação do peso fazendo com que os usuarios fiquem dependentes desta medicação.

Evidentemente os medicamentos ocupam um papel importante no tratamento da obesidade

devendo ser empregados naqueles pacientes realmente obesos e que tenham problemas orgânicos decorrentes do seu excesso de peso.