| Porque atualmente fala-se tanto em cirurgia para tratamento do Diabetes Tipo II? | |
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Um pouco sobre o Diabetes Melito tipo 2
A diabetes caracteriza-se por níveis de açúcar elevados no sangue de forma crônica, freqüentemente acompanhada do aumento da gordura no sangue - triglicerídeos e colesterol , pressão alta e problemas vasculares. É a doença endocrinológica mais comum afetando aproximadamente 10% da população mundial , sendo que o tipo 1 corresponde a cerca de 7.5% da população total de diabéticos.
Em 1997, a Organização Mundial de Saúde estimava em 143 milhões o número de diabéticos no mundo. A projeção para o ano de 2025 é de que atinja 300 milhões de pessoas, sendo que este aumento deverá ocorrer, em grande parte nos países em desenvolvimento, principalmente devido ao crescimento e envelhecimento da população, à obesidade e aos fatores dietéticos e sedentarismo . No Brasil, segundo estimativas do Ministério da Saúde, em 1996 existiam aproximadamente 5 milhões de diabéticos, 90% dos quais com Diabetes tipo2] . Em 2005 este número quase dobrou chegando a quase 9 milhões diabéticos no Brasil. O Diabetes tipo 2 é um problema de importância crescente em saúde pública. Sua incidência e prevalência estão aumentando, alcançando proporções epidêmicas. Está associado a complicações que comprometem a produtividade, a qualidade de vida e a sobrevida dos indivíduos. Além disso, acarreta altos custos para seu controle metabólico e tratamento de suas complicações. O Diabetes Mellito tipo 2 habitualmente não depende de insulina mas esta pode ser necessária numa fase avançada da doença. Antes era conhecida como Diabetes da maturidade mas atualmente devido aos hábitos de vida, sedentarismo e obesidade tem surgido cada vez mais nas populações mais jovens. |
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Os pacientes com diabetes tipo 2 geralmente apresentam duas situações: 1. Uma produção inadequada de insulina que pode ser resultado de inúmeros fatores, mas o principal é um "esgotamento" da sua produção por excesso de necessidade. Pessoas que abusam constantemente da dieta mantendo níveis elevados de açúcar no sangue fazendo com que as células beta (presentes no pâncreas e que produzem a insulina) se "esgotem" e passem a produzir menos insulina. 2. Uma produção normal ou aumentada de insulina devido a uma resistência dos tecidos e órgãos periféricos que "não reconhecem a insulina de forma adequada" e mantém as taxas de açúcar elevado no sangue. Estas taxas fazem a célula beta trabalhar mais e consequentemente fazem com que se "esgote" por excesso de produção. A causa principal de resistência à insulina é a obesidade. O Diabetes tipo 2 está associado com inúmeras doenças Os dados abaixo refletem a grande importância médico-econômico-social do diabetes no contexto da saúde pública :
O desenvolvimento das complicações crônicas do DM mostra íntima relação com os níveis de controle glicêmico obtidos pelos pacientes. De extrema importância é o fato de que a maioria destas complicações pode ser evitada ou sua evolução retardada através de um controle adequado da glicemia e dos demais fatores de risco associados. Tratamento Atualmente o tratamento do DM2 inclui as seguintes estratégias: 1.educação 2.modificações do estilo de vida, que incluem aumento da atividade física e reorganização dos hábitos alimentares 3.e o uso de medicamentos para o controle glicêmico. A educação alimentar é um dos pontos fundamentais no tratamento do DM. Não é possível um bom controle metabólico sem uma alimentação adequada. Os objetivos específicos da terapia nutricional são: contribuir para a normalização dos níveis de açucar no sangue , diminuir os fatores de risco de infartos e fornecer calorias suficientes para a obtenção e/ou manutenção do peso corpóreo saudável. Os medicamentos antidiabéticos devem ser empregados quando não se tiver atingido os níveis de açucar no sanguedesejáveis após o uso das medidas dietéticas e do exercício. A natureza progressiva do DM, caracterizada pela piora gradual da glicemia de jejum ao longo do tempo, faz com que haja necessidade de aumentar a dose dos medicamentos e acrescentar outros no curso da doença. A combinação de agentes com diferentes mecanismos de ação é comprovadamente útil. Para pacientes diabéticos com IMC > 35 kg/m a cirurgia bariátrica já tem se provado como tratamento de escolha. Revelando uma melhora ou até desaparecimento da doença em até 90% dos casos. IMC quer dizer Índice de Massa Corporal, e é calculado através de uma conta simples: Seu peso em Kg dividos pela sua altura em metros , o resultado desta conta deve ser dividida novamente pela sua altura em metros. Exemplo: Tenho 90 kg e um metro e oitenta e sete centímetros. Divido 90 por 1,87 e o resultado divido novamente por 1,87 A grande questão atualmente é se pacientes com IMC entre 30 e 35 poderiam se beneficiar com a mesma cirurgia Vários centros no Brasil e no Mundo vem demonstrando resultados excelentes utilizando a técnica que é utilizada para pacientes com cirurgia bariátrica com pequenas modificações nos pacientes diabéticos. Este tem sido tema de inúmeros congressos médicos no Brasil e no exterior. Outra discussão que ainda está em fase de estudos mas que já foi publicado nas principais revistas do país é sobre a cirurgia para pacientes com IMC abaixo de 30. Para estes pacientes acredita-se que outro tipo de cirurgia deverá ser realizado.
Uma das técnicas propostas mais discutidas no mundo é de um italiano radicado nos E.U.A., chamado Francesco Rubino. Vários centros de estudo espalhados pelo mundo vem estudando esta técnica com intuito de entender melhor o que acontece com os pacientes que foram submetidos a esta cirurgia e tiveram sua doença melhorada ou curada. Um estudo recentemente realizado na Universidade de Campinas em 15 pacientes que utililzavam insulina demonstrou que o maior número deles deixou de usar insulina e passaram a utilizar apenas medicamentos orais. Em outros centros onde esta cirurgia vem sendo estudada demonstrou que pacientes que utilizavam medicamentos orais passaram a não necessitar mais deles ou tiveram sua dose diminuida.
Técnicas propostas por Brasileiros como Dr.de Paula vem sendo realizado em São Paulo e Goiânia e tem apresentado resultados surpreendentes. O Dr.João Caetano Marchesini vem estudando uma técnica própria publicada em revista médica internacional. Alguns centros no Brasil e na Espanha vem realizando sua técnica também com excelentes resultados. Não importa qual a técnica, todas são baseadas nas modificações que a cirurgia causa na secreção de hormônios intestinais e seus efeitos sobre a célula que produz insulina e nos seus receptores. Todas estas técnicas ainda se encontram em fase de estudo e são realizadas a nível de protocolo seja no Brasil ou no Exterior e necessitam de um pouco mais de tempo para responder a questões muito importantes.
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